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13
nov

Poesia163 lançou o clipe do single “Level Up”

Postado por Tecal
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O grupo curitibano Poesia163 acaba de lançar o clipe do single Level Up.

O audiovisual inicia com os integrantes correndo como se estivessem procurando por abrigo em meio a uma construção abandonada, logo após se encontram em frente uma porta com a seguinte escrita: R A P. Diaká e Thex batem a porta aflitos como se já não tivessem mais paciência, ou até mesmo outra saída. Ninguém atende e ai que entendemos a proposta principal da música. Entram literalmente com o “pé na porta” e acabam por deixando suas marcas em todas as paredes da sala progressivamente conforme as cenas vão acontecendo.

Além da ideia de invadir uma sala com os pés na porta temos todo um enredo por trás, cada elemento representa uma ideia e em poucos frames de video antes mesmo do inicio da música eles evidenciam o seu posicionamento e nos dizem quais são seus objetivos. Neste caso a sala representa o cenário do rap onde eles correram muito pra chegar até ali, bateram a porta e ninguém atendeu, a cada lançamento do grupo foi uma movimentação até concluir o golpe na porta e Level Up com certeza foi o que faltava pra que eles invadissem a cena e deixassem a sua marca em todas as paredes.


No verso do Diaká, além do vocal agressivo que deixa bem claro que Level Up não é só o arremate do golpe, mas é também um grito de “basta”, temos também várias referências a ser original, autêntico e verdadeiro acima de tudo. Críticas a “iniquidade” são representadas no audiovisual com uma bíblia em chamas, o que pode ser interpretado como um “foda-se suas regras e suas leis” bem como uma crítica a própria igreja ou até mesmo podemos fazer uma analogia da frase com a atitude de muitos dentro do cenário do rap, que estão agindo de modo contrário aos princípios morais da cena.

Durante o decorrer do clipe temos um personagem de roupa vermelha e de máscara, aparecendo muitas das vezes junto aos integrantes mas em outras sozinho, porém, somente depois que eles já invadiram a porta, deixaram suas marcas nas paredes e agora estão rodeados de pessoas. O personagem pode ser a representação de um infiltrado, uma espécie de Judas ou então da indignação com a iniquidade da cena e uma possível resposta anarquista a toda essa situação. Por que Anarquista? Pois o personagem é justamente o único com vestes diferentes de todos e é justamente ele quem joga a bíblia na fogueira, ou seja, é ele quem está indo contra todos os padrões.

Se Diaká inicia a música jogando várias referências e muitas críticas, Thex não fica pra trás em momento algum, porém, se Diaká não generaliza, Thex é muito ácido em suas críticas. Em linhas como “Camisa de time, nem Supreme nem Bape”, podemos ver muito das origens do MC. Camisa de time geralmente é bastante utilizada nas periferias onde o sonho de ser um grande jogador de futebol é muito presente e o futebol faz parte do estilo de vida dessas pessoas enquanto que Supreme e Bape são marcas caras de roupas, geralmente utilizadas por quem um alto poder aquisitivo devido a exclusividade das peças, além é claro da qualidade.


O instrumental do Bêra parece que é uma eterna subida numa montanha com pequenas variações na intensidade, porém, você sabe que quando chegar no auge a vista e adrenalina vão ser incomparáveis e é isso que ele nos entrega no refrão quem por um lado é extremamente simples e até mesmo repetitivo, porém é impossível passar despercebido, é daqueles que você ouve uma vez e já sai repetindo por semanas.

No final do verso, Thex foge do contexto micro da cena do rap e nos traz um grande questionamento: “Meus rios banhados com sangue e no sangue escorre dinheiro; Me diga quanto tão pagando pra afogar seus sonhos nesse mar vermelho?”. Mar vermelho na bíblia é conhecido pelo episódio em que Moisés abriu um caminho com um cajado para libertar o povo hebreu da escravidão no Egito. O mar “vermelho” pode ser de sangue que representa o preço da liberdade, ou seja, Thex nos pergunta: qual o valor da sua liberdade? Está disposto a vender seus sonhos por ela? Lembrando que a liberdade nesse caso pode ter várias interpretações, dentre elas, a liberdade do fardo que é fazer rap ou até mesmo a liberdade que vem através da estabilidade financeira. Quanto você está disposto a pagar pra ser o que você quer ser?

Level Up em síntese é um “vamos acordar”, desde os graves do beat até as rimas. A palavra-chave para definir é “autenticidade”, não só por parte do trabalho apresentado mas justamente por ele ser uma ode a originalidade.

Assista agora:

Para saber mais sobre o grupo acesse: https://www.facebook.com/poesia163

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